Turning Point: O que esta mudando no comportamento esperado dos homens?

Como perceber os sinais de que chegou o momento do seu turning point? Por que entender esse momento vai ajudá-lo a encarar com mais leveza o seu futuro? A partir desses questionamentos eu convido você a refletir comigo sobre a construção do caminho da maturidade.


Antes de continuar é preciso lembrá-lo que desde o início da minha jornada de estudos e de vivências sobre o Masculino Profundo passei a investigar as etapas mais significativas que ocorrem nessa trajetória na direção da maturidade. Com isso, notei que os homens, especialmente na fase da chamada meia-idade, se incomodam quando determinadas ideias ou questões ficam mais vivas dentro de si. Isso gera então uma fase de inquietude, reflete-se em um período de inúmeros questionamentos, seguido por um período de inação e somente depois surge o despertar e o anseio pela mudança. Não é por acaso que isso tudo acontece. Há uma explicação bastante evidente e tem a ver com o conhecimento dos arquétipos – tema amplamente discutido nos artigos publicados no meu blog.


Superar o arquétipo do herói (aquele que é responsável por matar os leões diariamente e zelar pela sobrevivência) e experimentar o do patriarca (aquele que zela pelas regras e mantem a ordem) embora possa parecer o caminho natural não é simples para a maioria. Afinal de contas, pela tradição cultural esses parecem ser os únicos papéis possíveis na vida de um homem, certo? Mas isto não é mais verdade, cada vez mais nós homens precisamos lidar com um tipo de masculinidade amadurecida, além dos modelos do herói e do patriarca, com suas perspectivas muitas vezes machistas e hetero normativas. Esse é o momento que ao perceber essas inquietações podemos fazer um turning point (ponto de virada) e começar um novo caminho.


Entender a atuação desses dois arquétipos mencionados anteriormente é oportuno. Eles estão presentes há milhares de anos e sempre vão existir enquanto houver a criatura humana. Viver esses arquétipos é fundamental para nosso desenvolvimento. Porém, chamo a atenção para que você reflita sobre um outro caminho que pode ser vivido e tem como guia um arquétipo igualmente importante, mas que foi sucumbido ao longo da história: se trata do xamã-malando. Ele tem como características quebrar as regras habituais do jogo de uma forma mais astuta, e com efeitos positivos aumentar a consciência para causar o balanceamento dessa força primitiva que reside nos homens e que foi desvirtuada. Em outras palavras, estimular um tipo de maturidade que faça com que você não se cristalize com o tempo à medida que envelhece.


Para esclarecer melhor como você pode identificar sinais de que a cristalização está acontecendo e se tornando um incomodo, vou contextualizar com a experiência dentro do mundo corporativo. Você tem algum desconforto quando precisa lidar com a diversidade? Você tem dificuldade de atuar com membros mais jovens dentro da sua equipe de trabalho? Quando sua ótica para o mundo é contestada isso te deixa inquieto? Você tem a sensação de que não possui mais uma contribuição efetiva como antes? Já foi acusado de assédio moral, machismo etc.. Responda com franqueza.


Ao mudar de posição é preciso assumir novas responsabilidades. Certas inflexibilidades constantes acabam o deixando muito rígido nas relações consigo e com os demais e isso vira um preceito. É justamente nesse momento que literalmente a coisa aperta. O medo surge por trás da máscara do patriarca. No conjunto das organizações isso se torna mais evidente justamente pelo fato de que é algo inevitável, foge ao seu controle. Também pelo inegável motivo de que muitos estão abdicando mais cedo desses papéis que lhes foram atribuídos, muitas vezes motivados pelo medo inconsciente que se manifesta igualmente por trás da mascara do patriarca. Portanto, desenvolver essa consciência e progredir para não se cristalizar nessa ideia é algo de urgente.

Alguns homens quando são chamados para essas responsabilidades acabam “fugindo”. Eles justificam essa fuga alegando não se adequarem às regras. Fugindo do modelo de trabalho corporativo. Se ausentando das responsabilidades que poderiam assumir. Isso também se desdobra quando mudam de posição: se tornam pais, líderes familiares, líderes de algum grupo a que pertençam. Ao invés de avaliar esse novo caminho conduzido pela flexibilidade típica do modo de viver do xamã-malandro, ficam prisioneiros do patriarca clássico, e como percebem que o mundo rejeita cada vez mais esses comportamentos optam muitas vezes por um caminho paralelo, com uma contestação do status quo. Como se vivenciassem somente a masculinidade irresponsável, irreverente do xamã-malandro em uma espécie de movimento pendular.


Como é que você percebe esta situação dentro de si agora?


O contexto mudou e talvez você não tenha percebido, pense nisso. Promover um ponto de virada consciente do seu papel como homem e ser protagonista é uma alternativa para quem busca descobrir essa masculinidade mais amadurecida. Evitar isso de certo significará ficar deslocado e com o tempo constatar que a vida profissional e a vida pessoal se fecharão para você. Essa consciência a ser desenvolvida é de alguma maneira um rito de passagem, um processo. Como coach e como facilitador de grupos de estudo sobre os paradigmas da masculinidade atual trago essa reflexão para que os homens leiam esse texto e se motivem pela sua própria jornada de mudanças e pelo entendimento do que significa exercitar a masculinidade no século 21.


Como você tem lidado com o desenvolvimento da sua maturidade? Como você tem trabalhado o reposicionamento dos seus comportamentos? Lidar com as regras e com as responsabilidades tem sido um peso para você?


Se deseja ter apoio de profissional ou supervisão para se desenvolver e amadurecer neste tema, entre em contato: jorge.dornelles.oliveira@ggnconsultoria.com.brWhats App (11) 96396.9951


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Jorge Dornelles de Oliveira

Outubro de 2021


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