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Como fazer Coach Executivo para mulheres numa cultura de testosterona?

:: Executive Coach::

Quanto a cultura da testosterona cria impedimentos para o desenvolvimento das mulheres no trabalho? De que forma as mulheres reagem à cultura organizacional desenhada por homens e para homens? Como o processo de coaching é capaz de transformar a percepção estereotipada da mulher nas empresas e vice-versa?


Para lidar com essas questões que estão enraizadas na cultura das organizações, você como coach executivo terá de conhecer como essa configuração de comportamento se moldou historicamente por meio dos arquétipos masculinos. Além, é claro, de entender como essas diferenças que são notadas no campo de trabalho, principalmente por meio da comunicação, do estilo de liderança e do modo de se relacionar; criam ideias equivocadas e distorcidas de como as mulheres são e de como elas atuam diferente dos homens.


Ao perceber como a organização enxerga a mulher e como ela funciona no trabalho você terá muitos indícios para nortear o processo. Em ambientes onde o poder está mais concentrado nas mãos dos homens, por exemplo, a mulher é vista como complexa. Por isso é comum ouvir o relato de frases pejorativas como “as mulheres não funcionam bem trabalhando com outras mulheres”, “as lideranças femininas não são cativantes”, “as mulheres são muito emocionais”, “as mulheres não têm experiência esportiva, então não se pode esperar que elas entendam o trabalho em equipe”. O teor das frases indica uma visão deturpada da realidade, bem como os costumes masculinos padronizados como norma na cultura da empresa.


Outro fator que também colabora para fortalecer esse tipo de julgamento está relacionado ao estilo de comunicação que a mulher costuma apresentar que difere do homem. Enquanto o homem é percebido como normativo, a mulher é vista como alguém que se afasta da norma. Na abordagem com seus pares ou subordinados ela costuma ser mais inclusiva e tende a ser sutilmente sugestiva quando deseja fazer um pedido. Muitas vezes isso é percebido como um sinal de falta de pulso, falta de liderança ou falta de energia.


A percepção sobre sua comunicação também um fator que leva a mulher a ser interrompida mais vezes quando deseja defender um ponto de vista. O que cria nela insegurança mesmo quando ocupa posição de destaque na organização. No entanto, a questão não se trata de inabilidade com a comunicação, mas sim porque os homens foram instruídos quando meninos a serem duros e enérgicos, portanto, interrompem sem qualquer ressentimento. Já as mulheres foram educadas a serem quietas e agradáveis. O resultado disso na prática é que os homens são condicionados a se fazerem ouvir.

Como apoiar o processo para desenvolver uma liderança sem esses obstáculos?


O seu papel como coach deve ser o de observar a dimensão do enquadramento que existe na organização e a manipulação que ela exerce. Assim poderá trazer a consciência que os estilos de liderança de homens e mulheres são diferentes, porém positivos e não conflitantes. As mulheres são caracteristicamente mais inclusivas e participativas na maneira de liderar. O modo masculino de lidar com a direção passar pela hierarquização, separação e autocracia.


Esse aspecto é em geral um resultado de como a sociedade educa e socializa de maneira distinta os papéis de meninos e meninas. Pela minha experiência vejo o estilo de liderar da mulher que compartilha conhecimento e busca o consenso antes de decidir algo sendo visto erroneamente pelas organizações como um ponto fraco, o que não representa a realidade.


A imagem equivocada da mulher não ocorre só no plano subjetivo, pois o julgamento também acontece por meio do que sua aparência transmite. Se por um lado os homens que ocupam uma posição de c-level precisam se preocupar com a imagem apenas dentro de padrões aceitáveis, as mulheres que ocupam um cargo semelhante, no entanto, têm uma obrigação muito elevada em relação ao código de vestimenta. Qualquer deslize que cometa em relação a sua imagem pode acarretar sérias consequências a ponto de travar ou arruinar um plano de carreira que ela tenha.



Que situações limitantes você já trabalhou com uma cliente no nível executivo? Quanto as organizações estão atentas a essa questão?


Algumas mulheres declaram que sua credibilidade é colocada em xeque quando agem com naturalidade. O assunto inclusive é mencionado na obra de Bruce Peltier, The Psicology of Executive Coaching, 2009, e merece atenção especial nas entrelinhas. “Nas reuniões, os homens de negócios costumam entrar em uma discussão, tornando explícita sua experiência e certeza. Eles podem parecer bastante positivos, como foram ensinados a fazer, enquanto as mulheres podem se sentir mais à vontade para expressar dúvidas e incertezas. As mulheres são mais propensas a serem educadas para evitar parecer egoístas ou presunçosas”. A vulnerabilidade das mulheres é muito questionada, mas os homens utilizam a isso como oportunidade de autopromoção.


Em linhas gerais é evidente que mulheres são a todo o tempo impedidas de terem mais acesso ao poder dentro das organizações que colaboram para manter a cultura da testosterona. Como a cultura da testosterona está presente em absolutamente tudo, desde a arquitetura, decoração e o mobiliário das empresas, não causa estranheza que a concorrência pelo poder seja visivelmente desleal com o público feminino.


Para contextualizar com esse momento e oferecer um bom exemplo, recentemente li a notícia de que pela primeira mulher vez uma mulher narrou uma partida da Copa do Mundo. Todos os comentários abaixo da notícia questionavam o quanto a mulher em questão entendia sobre futebol e sua capacidade técnica para exercer a função que costumeiramente é de um homem. Certamente se outro homem ocupasse o lugar dela isso não seria questionado, pois estaria subentendido que ele não só seria tecnicamente capaz como entenderia sobre o jogo. Uma espécie de validação pelo fato de ser homem.


Qual é o papel das empresas nesse tipo de cultura organizacional que restringe de forma as vezes muito sutil o desenvolvimento profissional das mulheres? Como você coach executivo pode atuar para apoiar suas clientes a transformar essa compreensão?


Para algumas organizações o fato da maternidade é motivo suficiente para que uma mulher seja entendida como alguém que não leva a sério a carreira. Mas as empresas esquecem que é comum que seja atribuído as mulheres o papel de cuidadora de suas famílias e que elas assumam a maior parte do trabalho e do tempo necessários para criar os filhos. O pensamento a seguir, esclarecedor e direto, ilustra a situação: “É um absurdo rebaixar uma mulher por ter as mesmas qualidades que levariam um homem ao topo”, (Scwartz, 1989).


Desenvolver a questão do equilíbrio nas organizações e atuar para criar uma cultura que inclua os aspectos femininos é algo essencial. Ainda que as mulheres tenham avançado em muitas questões, a verdade é que a maior parte do poder nas organizações ainda está concentrado nos homens. O poder das mulheres ainda está reservado para cargos de RH e Marketing basicamente. Poucas mulheres estão na liderança de áreas como TI ou Operações, setores exclusivamente masculinos. A falta de credibilidade, fruto de uma visão banalizada, faz com que as empresas não criem oportunidades iguais para homens e mulheres. Sendo assim as mulheres encarram a situação como parte do jogo e as vezes se autolimitam.


O lado bom dessa história é que as mulheres estão mais abertas a passar por um processo de coaching e terem insights importantes para ampliar a visão sobre o assunto. O público masculino por sua vez costuma rejeitar mais a ajuda externa por entendê-la como um sinal de fraqueza e não desenvolvimento. Sabendo disso, você coach executivo que vai lidar com as particularidades da cultura da testosterona precisa ficar muito atento aos seus vieses e crenças, já que você, seja homem ou mulher, também foi educado dentro desta conserva cultural que está mudando sim, mas que ainda em minha perspectiva está mais na promessa, no marketing do que no dia a dia.



É importante perceber como a mulher gostaria de ser notada, qual o impacto da sua fala e como ela expressa seus desejos de carreira para a empresa. Isso pode ajudar a reverter uma ideia formada. Na sua atuação como coach você deve ajudar a cliente a se sentir mais confortável com o poder e gerenciá-lo de maneira saudável sem carregar culpa. Você também pode observar e fornecer feedback sobre sua comunicação e estilo de comportamento. Isso pode ser decisivo. As pessoas não podem julgar com precisão seu próprio estilo ou impacto, e o coach é essencial para esse processo.


Uma pesquisa apresentada pelo Center for Creative Leadership descobriu que os seguintes fatores estão entre os mais importantes para o sucesso das mulheres nas organizações: ajuda constante de alguém superior/externo; construção de um histórico de sucesso na organização; manifestar o desejo de sucesso para os superiores; a capacidade de gerenciar bem os subordinados; a disposição para assumir riscos na carreira; e por fim, a capacidade de ser forte, decisiva e exigente. A lista mostra possíveis temas de desenvolvimento que podem surgir nos seus processos. Fique atento e veja como você pode se preparar para desenvolver.


Minha dica principal é que você auxilie suas clientes a perceber como elas se sentem e como querem se sentir e, em seguida, trabalhe para alcançar seus objetivos. Você pode realizar intervenções de muitas maneiras para isso até aumentar seus níveis de conforto. Bem como pode ajudar com que ela se torne mais visível na organização sem se sentir muito desconfortável com isso.


De que forma a influência de gênero tende a favorecer os homens nas organizações? Quanto a conquista de um cargo de liderança por uma mulher é só uma questão de desempenho?


Se você deseja ter apoio de coach profissional para se desenvolver nesse tema entre em contato: jorge.dornelles.oliveira@ggnconsultoria.com.br Whatsapp (11) 96396.9951


Jorge Dornelles de Oliveira

Dezembro de 2022














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