Como o conflito e confronto colaboram no desenvolvimento do Coach?

::reflexões sobre coaching::


Se no artigo anterior eu citei o enciclopedismo (O Coach como um enciclopedista do conhecimento:https://www.jorgedornellesdeoliveira.com/post/a-atua%C3%A7%C3%A3o-do-coach-como-um-enciclopedista-do-conhecimento) para apresentar como as diversas correntes do pensamento contribuem para o desenvolvimento do coach profissional, desta vez eu recorri ao existencialismo para oferecer uma reflexão a partir de outra perspectiva. Vamos raciocinar sobre esse tema?


De que forma o conflito e o confronto podem agregar ao seu progresso como coach profissional? Você consegue compreender o confronto como uma relação útil para o seu crescimento e o do seu cliente simultaneamente? Como você entende a frase de Jean-Paul Sartre “o inferno são os outros”? Leia o artigo até o final e forme seu juízo.


Em tempos de polarização, de cancelamento de um mundo onde as relações pessoais e as formas de trabalhar se individualizaram, receberam autonomia e se tornaram cada vez mais virtuais, falar sobre esse assunto, mesmo para quem é coach profissional, pode soar como algo um tanto desconfortável. A impressão é que muitos fogem ou evitam a todo o custo expressar seus argumentos a fim de evitar o debate. O exemplo é bem abrangente, mas enquadra qualquer um de nós nas mais diversas situações.


Na posição de coach, ainda assim, é preciso despertar a consciência do papel que o conflito representa para si e com isso transformar a própria existência do confronto em algo estimulador para o seu desenvolvimento pessoal e do seu trabalho. Desdobrando esse entendimento ao cliente para o mesmo objetivo. Sartre, filósofo francês do século 20 e representante do existencialismo considerava o confronto a base de todas as relações humanas autênticas. Ele aconselhava que o conflito não deve ser evitado - na verdade, é por meio do conflito que construímos relacionamentos reais e relacionamentos de confiança.


Ao assimilar esse conhecimento e colocá-lo em prática é possível transformar a relação com o seu cliente e fazer com que ele também transforme as relações dele na vida e dentro da organização com seus colaboradores e parceiros de negócio. A construção desse entrosamento beneficia uma combinação madura de atuar. Além de ajudar a evitar a ideia de que o conflito é o término das relações e interações entre as pessoas. Chega de cancelamento. Creio que Sartre não aprovaria isso!


De que forma você como coach profissional estabelece e constrói a sua relação com o cliente?


A visão existencialista é centrada na experiência, vivida, do indivíduo que pensa, sente e age. Semelhante ao processo de desenvolvimento do coach ou ao próprio processo de coaching, que embora esteja apoiado em metodologias e estudos prioriza toda a bagagem da experiência adquirida. É preciso construir pontes de diálogo por mais complexos que eles sejam. Assim será possível enxergar o conflito como um aspecto essencial de qualquer relação autêntica, e o confronto necessário de vez em quando para que uma relação seja real e válida.


A visão macro que essa contribuição oferece pode ser observada no cotidiano de sua vida e em uma organização. Conflitos e confrontos são manifestados em todas as escalas hierárquicas e de relação, seja ela interna ou externa. Contudo, há duas observações categóricas a se fazer: a primeira é perceber que nessa relação os envolvidos estão presos um ao outro e estão constantemente em desacordo e desaprovação, mas, surpreendentemente, não podem existir um sem o outro. Em seguida, notar que certamente ninguém defende conflitos desnecessários, mas a maioria das pessoas provavelmente os evita em vez de confrontar. De acordo com Bruce Peltier, psicólogo, coach executivo e escritor, essa conduta é totalmente contra produtiva e todos os envolvidos saem perdendo. “Quando se evita o confronto é natural optar pela acomodação, negação ou desistência. Todas essas opções são ilegítimas e resultam em um tédio doloroso”, afirma o autor.



Como você conduz um conflito e como você confronta as suas ideias com as ideias do seu cliente de um modo positivo? Reflita e responda para si.


O psicólogo canadense Sidney M. Jourard, autor do livro “O eu transparente e a personalidade saudável”, também reforça em sua obra que sem o confronto o controle de um líder gera desgastes significativos e tende a sucumbir. Para o autor, quando isso acontece sem oposição ocorre uma manipulação que gera contra manipulação. “As pessoas não devem ser usadas e nós não devemos ser usados ​​por elas. Isso torna a liderança um desafio ao mesmo tempo que inviabiliza a relação saudável.”, conclui o professor.


Novamente eu acentuo aqui que existem maneiras melhores e piores de lidar com o confronto, e um bom coach pode ajudar os clientes a aprender como fazê-lo. Devemos desafiar, confrontar e ser verdadeiros com os outros. O conflito interpessoal é inevitável, embora muitas pessoas o evitem caracteristicamente.


Aprimorar o discernimento sobre os conflitos acaba servindo como uma excelente e eficaz estratégia de comunicação para a organização. Essa conduta permite que a empresa de continuidade ao seu trabalho e encontre soluções múltiplas para os diferentes problemas, nunca levando questões para o âmbito particular. O coach deve perceber seu cliente a partir destas atitudes.


Explore no momento oportuno com seu cliente. Como ele percebe os conflitos? Como ele se sente quando em conflito? Quando ele se percebe evitando o conflito? O que ele ganha com isso? Como o conflito autua em sua energia (sobe/desce). Como é sustentar um momento de conflito? Perceba como você lida com as situações de confronto e conflito com seu cliente? Preste atenção naquilo que pode parecer diferente da sua forma habitual. Isso pode trazer informações (processo paralelo) da forma como o cliente lida e não expressa. Atenção em você. Você é o instrumento de ressonância dos padrões vivos do cliente. Fique sempre no modo “presença vulnerável”.


Ajude o seu cliente a reconhecer o conflito como um meio de potencial positivo para a vida organizacional como um todo, em vez de simplesmente um sintoma de disfunção. A pseudo-tranquilidade deve ser mais uma preocupação do que um confronto ativo de vez em quando. Isso também serve como uma auto avaliação simultânea durante o processo de coaching.


Por fim, entenda que o conflito é algo inerente às relações humanas. Às vezes, as próprias pessoas que o deixam irritado são aquelas de que você mais precisa, por isso pode ser uma péssima ideia rejeitá-las tão prontamente. Pode haver lições importantes a aprender com outras pessoas que o incomodam ou irritam e, precisamos um do outro, até mesmo das pessoas que desprezamos.


Como você tem lidado com o conflito atualmente? Você o identifica como o fundamento de uma vida autêntica?

E agora volte a frase de Jean Paul Sarte : "o inferno são os outros". Como ressoa agora?


Se deseja ter apoio de profissional ou supervisão para se desenvolver e amadurecer neste tema, entre em contato: jorge.dornelles.oliveira@ggnconsultoria.com.brWhats app (11) 96396.9951


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Jorge Dornelles de Oliveira

Novembro de 2021










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