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Como lidar com os sinais de angústia nos processos de Coaching Executivo?

“A angústia surge do momento em que o sujeito está suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está, em direção a um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá reencontrar.” Jacques Lacan.


O que a angústia pode relevar genuinamente sobre você? Como lidar com ela?


No meu trabalho como Executive Coach tem aparecido de maneira muito frequente questões relacionadas a angústia. Noto que as questões que envolvem o mundo se refletem da mesma maneira no micro contexto das organizações e consequentemente incidem nos temas trazidos pelos executivos C-levels. A realidade do chamado Mundo VUCA e o fenômeno da Desconexão Cognitiva, muito presentes no nosso contexto, faz com que muitos se sintam pressionados a realizar e atender expectativas que não conseguem entender claramente e que além de tudo mudam constantemente. Lidar com a avalanche de pedidos e solicitações, muitas vezes aparentemente contraditórias e paradoxais, levam a esse lugar de ansiedade que pode ser claramente reconhecida e até medicada, dependendo da situação. Contudo, o que poucos conseguem reconhecer ou admitir nesse cenário é que a questão da angústia está muito ligada ao presente, em particular com um desejo mais profundo não está sendo percebido.

De que forma a angústia impede que o seu real desejo se concretize? De que maneira entender e vivenciar esse processo de autoconhecimento pode levá-lo a ter uma nova perspectiva sobre você?


De acordo com Jacques Lacan, psicanalista francês, a angústia é um sentimento que não mente. Toda a vez que esse sentimento se manifesta há o sinal da impossibilidade da realização de um desejo muito importante para o indivíduo. O medo de que esse desejo não se realize é o que faz com que você se sinta como se estivesse desaparecendo. Esse é o chamado évanouissement do ser. Uma espécie de despedaçamento ou desaparecimento. Embora seja uma afirmação bastante forte, é preciso dizer que Lacan foi um renovador da psicanálise. Por essa razão, sem dúvida alguma, ele contribuiu muito para o nosso trabalho como Coach nos dias de hoje. Analisar a situação traz luz acerca do tema da angústia, visto que ela aparece no cotidiano de todos. A hesitação, no entanto, está no fato de que temos certa dificuldade de perceber e nomear nossos sentimentos.


De que forma a angústia se relaciona com a condição existencial? Como perceber os sinais de que você está desaparecendo em meio a angústia?


A ansiedade talvez seja o sentimento mais frequente entre as ocorrências atuais no ambiente corporativo. Muitas pessoas usam diariamente remédios para conter e lidar com a ansiedade. Isso parece ter a ver com o futuro, ou seja, uma apreensão exagerada com que pode vir a acontecer. No caso da angústia ela é é um sofrimento relacionado com o momento presente. A angústia é resultante do excesso de questionamentos, incertezas e cobranças pessoais. A busca constante por respostas existenciais, o sentimento de culpa, a frustração e o medo são outros fatores que também podem trazer à tona a sensação de angústia. Medo e angústia se apresentam juntos, mas são diferentes. Sendo assim é importante entender o que ela é e o que ela não é.


Quando estamos dominados pela angústia, o mundo não nos ameaça. Na verdade ele não significa nada para nós. Nesse sentido é muito mais potente que o medo. O medo está fora, a angústia dentro de nós. Ainda assim o mais importante é perceber que a angústia é um sinal que não engana. Por trás desse sinal existe um desejo fundamental que não está sendo possível viver ou colocar para fora, externalizar. Então isso quer dizer que angústia é um indicativo de que há uma verdade invertida do seu desejo mais radical ou uma posição de existência.


Quando você consegue atravessar esse momento, isto é, quando você desaparece de fato, quando não se reconhece mais, surge o chamado ponto de insuportabilidade. O lado bom da história é que justamente nesse momento é que talvez possa surgir o radicalmente novo do que você é de fato. Esse é um momento genuíno de experimentar. Mas a essa altura você deve ter se perguntado: o que isso tem a ver com Coaching?


Na realidade o que eu trouxe até aqui são resumos e explicações sobre conceitos e situações que podem ser trabalhadas profundamente em um processo de psicanálise ou em sessões de terapia. Mas é preciso ressaltar que a presença da angústia pode ser um elemento fundamental para observarmos no nosso trabalho como Coaches. É nesse ponto que a transformação acontece.


Uma boa forma de lidar com esse tema em coaching é ajudar o cliente a ter consciência de que essa angústia existe. Embora ela possa ser um sentimento mais generalizado no processo, precisamos ajudá-lo a entender como essa angústia afeta o tema específico para o qual fomos contratados para abordar. A partir disso, explorar também qual a visão, qual o desejo real, enfim, facilitar para que ele aflore o que ele está querendo colocar em prática e que talvez não esteja percebendo ou enxergando. Assim como explorar com ele quais são as grandes ameaças que ele percebe por não estar respondendo da forma que imagina que deveria. Por fim, separar as suas expectativas das expectativas dos outros. Para haver desejo é preciso haver, primeiro, a falta.


Você já vivenciou alguma situação em que teve de satisfazer as demandas daqueles que estão a sua volta e deixou o seu desejo ficar em segundo plano? Como foi essa experiência para você? Comente aqui para enriquecer a reflexão.


Se deseja ter apoio de coach profissional para se desenvolver e amadurecer em relação ao assunto, entre em contato: jorge.dornelles.oliveira@ggnconsultoria.com.brWhats app (11) 96396.9951


Jorge Dornelles de Oliveira

Janeiro de 2023



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