A Síndrome de Gulliver (se ela existisse!)

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É muito comum você se sentir sem opções e sem a possibilidade de escolhas na sua vida profissional como se você estivesse preso em pequenas âncoras ou costurado com pequenas linhas (como Gulliver, personagem do livro clássico de Jonathan Swift, Viagens de Gulliver, de 1726, que esteve enlaçado por pequeníssimas cordas) que às vezes parecem ser infinitas ou que podem ser insuficientes para nos capturar.


Apesar de nos sentirmos potentes, nos sentimos prisioneiros também, pois vivemos em um mundo onde facilmente caímos nessas circunstâncias de contradição. Não é por acaso o fato de termos de lidar com forças que parecem maiores do que nós e com energia para determinar o nosso destino, pois diante dessas situações parece que não temos qualquer espaço de liberdade para agir. Nos percebemos então como Gulliver, impedidos de nos mover.


Será que essas supostas linhas (fantasiosas) são tão resistentes assim ou será que elas não passam de linhas finas e frágeis que ainda não conseguimos ver?


Costumo receber clientes executivos que durante o seu processo de coaching expõe o seu tema com muita clareza, porém, vivem uma espécie de paralisia ou impossibilidade de ação. Isto é, eles entendem a situação em que se encontram, não estão felizes com isso, mas no entanto não conseguem encontrar alternativas para solucionar o próprio cenário.


O que os leva para esse lugar de bloqueio e de falta de iniciativa?


Há muitas coisas que podem colocá-los nesse estado, evidentemente entre eles está o processo cultural de posicionamento nos extremos, que chamamos de polarização de ideias. Isso acontece quando eu me posiciono muito à esquerda ou muito à direita em relação ao centro de uma questão. Com esse comportamento eu tendo a ter uma posição mais estática fechado nas próprias convicções e com objeções para flexibilizar as minhas ideias.


A consequência disso é a sensação de que eu só posso ficar nessa posição e que não tenho outras escolhas. O posicionamento de um fixo de um indivíduo atua como as âncoras ou como as pequenas linhas que prendem Gulliver.


Esse procedimento característico pode ser explicado (ou percebido) por que nós funcionamos também de forma ilógica. Sabe aquele pensamento de que eu quero comer o bolo, mas eu quero que ele fique inteiro? Ele ilustra bem o fato. Tal comportamento sem dúvida leva para uma conjuntura de inação diante daquilo que eu quero e daquilo que eu faço. É sobre isso que eu estou dizendo!


Se trata da presença do que chamamos valores contraditórios, em outras palavras, eu valorizo alguma coisa, mas também valorizo uma outra coisa que nesse momento é como se estivesse em contradição. Contextualizando com o ambiente corporativo esse mecanismo se apresenta quando eu quero ter autonomia no trabalho, mas estou em uma organização onde há pouquíssima autonomia. Ainda assim eu gosto de ficar nessa organização e não procuro mudar. Essa espécie de briga de valores internos ou de disputa de valores leva muitas vezes há uma certa paralisia. Quando sou puxado para um lado sou puxado no sentido contrário do mesmo modo e isso dá a sensação de que não posso fazer movimento nenhum. O meu espaço de liberdade é zero.


Essa soma de pequenos valores contraditórios internos com valores contraditórios externos está presente no contexto da organização e muitas vezes são os catalisadores para levar o executivo a esse lugar de impotência e inatividade.


Em quais situações na sua organização você percebe que expressa incoerência em relação ao que deseja e ao que faz?


Perceber esse tipo de situação em um processo de coaching normalmente acontece quando surgem padrões de vitimização com falas do tipo: “não tem escolha”, “não tem jeito”. Ou com a verbalização do desejo de trocar de organização e a manifestação dos sentimentos de fraqueza e raiva. O reconhecimento destes sinais pelo cliente sem dúvida é uma porta de entrada para começar a cortar os pequenos fios que o prendem e começar a se libertar do que eu classifiquei como a Síndrome de Gulliver.


A situação nem sempre é simples, tão pouco é óbvia pois existe muito conforto em ficar nesse lugar de Gulliver permanecendo indignado. Mas libertar-se significa assumir a força e a responsabilidade de ser esse gigante. Momento em que temos um pouco da presença do complexo de Jonas (https://bit.ly/3hp58Mt), ou seja, o medo de sermos muito capazes (mais do que imaginamos).


As polaridades se referem a dois grupos opostos de pensamentos e comportamentos que são desejáveis e ao mesmo tempo necessários. As polaridades são pares contínuos que podem parecer em oposição um ao outro, mas na realidade podem ser sinérgicos e complementares. Compreender de que forma a polarização atua em nós exige equilíbrio. Por isso, o caminho para a começarmos a nos desvencilhar de certas amarras que nos impedem de agir e prosseguir pode vir a partir de uma saída poética:


Fundi fogo e neve

Nem incêndio nem nevasca, reconhecerão meus bosques

Permanecerei incompreensível, manso

Como luz entre magia e signo

Adonis (Ali Ahamed Said Esber)


Lidar com a polarização não é resolver a polarização, mas saber atuar com as forças opostas (fundi-las) para que elas não o dominem. Isso não quer dizer ficar preso em um dos polos com uma ideia fixa, sequer ficar paralisado no meio deles. Permanecer manso (no sentido de tranquilo) é entender que ainda que a liberdade não seja a desejada é possível atuar nesse momento com certo espaço onde você consiga conviver com isso de forma equilibrada.


De que forma você percebe as pequenas amarras cotidianas que o prendem em alguma situação? Como você tem feito para enfrentar isso?



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Jorge Dornelles de Oliveira

Fevereiro de 2022








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