Por Que Pensar Por Si Mesmo é o Maior Ato de Liberdade?
- jorgedoliveira
- 29 de abr.
- 5 min de leitura
Uma das questões mais recorrentes que tenho observado em coaching atualmente é a dos clientes que se encontram em uma fase em que eles precisam se expressar a partir deles mesmos, ou seja, manifestarem aquilo que são ou acreditam ou pensam, mas não tem coragem ou não sabem como fazer. Para esse grupo de indivíduos, o pensamento autônomo é algo impraticável. O pensamento autônomo é a capacidade de refletir, questionar e formar opiniões de maneira independente, baseando-se em análise crítica, experiências pessoais e raciocínio lógico, sem depender exclusivamente de influências externas, como autoridades, tradições ou pressões sociais.
Esse comportamento, de modo geral, se apresenta com mais frequência em torno dos 40 anos de idade. Nesse período se acentua a chamada crise de autenticidade, ou a crise da meia-idade. Período de questionamento e transição emocional que muitas pessoas vivenciam, marcado por reflexões profundas sobre conquistas, arrependimentos, propósito de vida e envelhecimento. Nessa fase, é comum que indivíduos reavaliem suas carreiras, relacionamentos, metas pessoais e até sua identidade, muitas vezes sentindo ansiedade por mudanças não realizadas ou medo de que o tempo esteja "passando".
Nessa fase, surgem muitos questionamentos em relação a como que a gente se posiciona diante de questões que o mundo inteiro pensa de um jeito e a gente pensa diferente. Essa fase [ou crise] não se trata de um diagnóstico médico, mas sim de um fenômeno psicológico e social e tem influência na pressão social e cultural que recebemos ao longo da vida. Então, o dilema passa a ser como se expressar de modo autêntico, como pensar por si próprio? Como se posicionar diante de algo quando você tem o seu modo de pensar a respeito de determinado assunto?
Ao chegar aos 40 anos, consolidamos nossa trajetória como adultos e, no mundo corporativo, especialmente como executivos, já construímos uma carreira sólida. Esse é o momento em que passamos a fazer escolhas alinhadas com nossa essência, e não mais baseadas apenas nas expectativas alheias. Segundo as leis biográficas, por volta dos 42 anos nos tornamos adultos. É quando estamos verdadeiramente preparados para contribuir com o mundo a partir de nossas convicções. De forma intuitiva, começamos a sentir maior dificuldade em conviver ou atuar em ambientes que confrontam nossos valores fundamentais. Essa fase exige que assumamos as rédeas da própria vida, posicionando-nos com clareza diante das oportunidades e desafios, enquanto refletimos sobre o legado que desejamos construir.
É muito comum que até os 42 anos a gente viva numa espécie de um “tobogã da vida ”. Nascemos, somos criados pelos nossos pais, vamos para a escola, encontramos o primeiro emprego, depois vem carro, casa, ter filhos, enfim, tudo acontece como se a vida fosse pré-determinada, embora tenhamos muitas vezes a sensação de que estamos decidindo sobre nosso caminho, ainda caminhamos em um lugar delimitado e de certa forma protegido, por isso, é como se estivéssemos em um grande fluxo onde as coisas vão acontecendo.

Quando nascem esses questionamentos mais profundos, é comum pensar “será que estou vivendo de acordo com aquilo que Eu Acredito? Será que eu consigo viver negando muitas coisas que Eu Acredito ou tendo que me posicionar sempre concordando com pensamentos que eu não acredito? Mas essa fase não é apenas uma crise, mas também uma oportunidade de reinvenção consciente – um convite a viver com mais autenticidade, priorizando o que realmente importa. Longe de ser um período de mera instabilidade, pode se tornar uma etapa de maturidade decisiva, em que o autoconhecimento nos permite filtrar o que merece nosso tempo e energia. Assim, os 40 anos devem marcar o início de uma vida mais intencional, onde as escolhas refletem quem somos, e não apenas o que o mundo espera de nós.
E aí de verdade surge a grande questão qual é o meu pensamento autônomo de verdade? Será que a forma como me expresso e as escolhas que faço são realmente minhas, ou estão embebidas nos valores do ambiente em que vivo, nas expectativas da minha família, no que meu pai e minha mãe esperavam de mim, ou na pressão do meu círculo social? Quantas vezes tenho coragem de me posicionar contra um grupo inteiro porque penso diferente? E quando se trata da minha carreira, será que tenho a força interior para seguir um caminho que acredito, mesmo quando todos ao meu redor dizem o contrário?
Essas perguntas revelam o cerne da autonomia: a capacidade de ouvir a própria voz interior acima de qualquer ruído externo. Não se trata apenas de rebeldia, mas de autenticidade – a coragem de questionar, escolher e agir com base no que realmente ressoa dentro de si, mesmo que isso signifique nadar contra a maré. Afinal, uma vida plena não é feita de aprovação alheia, mas de convicções próprias. Nesse mundo hoje que é tão massificado onde é forçado num certo sentido a caminhar com a multidão, a caminhar com o gado, não é simples você implementar seu pensamento autônomo. Mais do que isso, a normose social se quer permite que você entenda que pensa diferente ou mesmo aceitar que você pensa diferente dos outros.
Mas trazer isso à tona é essencial se você quer de fato se reconhecer como ser humano único e deixar sua marca no mundo do jeito que realmente acredita. Sim, isso pode doer. Pode trazer solidão – e certamente trará, pois em essência nascemos e morremos sozinhos, queiramos ou não. No entanto, fomos educados para viver em grupo, para depender da aprovação alheia, e em muitos círculos, pensar diferente é visto como egoísmo ou rebeldia. Defender suas convicções, ocupar seu espaço vital e manter-se fiel a si mesmo exige uma coragem que poucos cultivam – e é aí que reside o desafio central da maturidade.
Esse é justamente o dilema que tenho observado entre os CEOs que acompanho: a necessidade de se desvincular de expectativas externas para, só então, se reintegrar ao seu contexto social e familiar de maneira mais autêntica. Mas essa jornada não se restringe a líderes empresariais – é universal. Todo ser humano que verdadeiramente amadurece enfrenta esse paradoxo: quanto mais autonomia, maior a solidão nas decisões cruciais. E é nesse equilíbrio delicado, entre liberdade e pertencimento, que se define não só o rumo de uma carreira, mas a essência de uma vida com significado.
Saber ouvir, compreender seus valores fundamentais e ter clareza sobre como deseja ser percebido pelo mundo são pilares de uma vida autêntica. É preciso definir que impacto você quer causar, mas também buscar equilíbrio: como contribuir com as demandas do mundo sem trair suas próprias necessidades e convicções. No fim das contas, não se trata apenas de atender expectativas externas, mas de harmonizar o que o mundo pede com o que sua voz interior exige. Porque, no final do dia, a única prestação de contas que realmente importa é aquela que você fará a si mesmo. Fui fiel aos meus princípios? Honrei quem realmente sou? Essa é a medida definitiva de uma vida bem vivida - quando suas ações no mundo refletem, com integridade, a pessoa que você escolheu ser.
Por isso, relembro John Kenneth Galbraith (1958) “Pensar de forma independente demanda mais do que habilidade cognitiva: exige disposição para o enfrentamento do senso comum e coragem para lidar com a instabilidade das certezas”.
Quanto espaço o pensamento verdadeiramente independente ocupa na sua vida? O que desperta em você ao confrontar essa questão?
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Jorge Dornelles de Oliveira
Abril de 2025
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