O Coaching na Era da Exaustão: Da Produtividade Tóxica à Liderança Regenerativa
- jorgedoliveira

- 1 de dez. de 2025
- 6 min de leitura
Como promover uma mudança cultural que substitua a lógica da pressão contínua e do esgotamento glorificado por práticas saudáveis de desempenho e compromisso real?
O termo “produtividade tóxica” tem ganhado destaque ao expor os impactos negativos de uma cultura organizacional que valoriza o excesso de trabalho como principal métrica de desempenho, colocando a pressão constante acima do bem-estar e da saúde mental dos colaboradores. Esse modelo que esgota talentos, sufoca a criatividade e deteriora o ambiente de trabalho, culmina, quase sempre, em burnout e perda de motivação. A produtividade tóxica negligência que ritmos acelerados e resultados imediatos não são sustentáveis a longo prazo, causando danos tanto às pessoas quanto às organizações. Mas por que esse tipo de cultura organizacional predomina?
Esse estilo de liderança tem muito a ver com o chamado ‘comando e controle’, um legado dos modelos tayloristas e da administração clássica. Ele ocorre sob um pressuposto assimétrico, a convicção de que o detentor do maior escalão hierárquico concentra não apenas a autoridade formal, mas também o monopólio do discernimento estratégico e das soluções válidas. Essa lógica gera, por consequência, um processo sutil de infantilização dos colaboradores, ao negar-lhes sistematicamente a autonomia intelectual e a capacidade de julgamento.
Eu concordo sim que se instaurou um ambiente tóxico em muitas organizações e que as pessoas, de fato, têm sofrido com isso. A crescente apatia e, em certos casos, a postura infantilizada de parte das equipes acabam gerando uma resposta de comando e controle ainda mais rígida, um ciclo que intensifica a pressão e o esgotamento. Por outro lado, é importante reconhecer que a pressão sempre fez parte das organizações. Sempre houve prazos, demandas intensas e expectativas elevadas, talvez até maiores do que as de hoje. A diferença é que, antes, as pessoas pareciam reagir de forma mais madura e resiliente, pois desenvolviam habilidades para lidar com as adversidades da vida e do trabalho.
Por essas razões, os funcionários também foram condicionados a serem executores, ou "braços" destinados a cumprir ordens de "cérebros" superiores. Ao serem destituídos de aprofundar sobre seu trabalho e de voz para contribuir com melhorias, são confinados a uma posição passiva, análoga à de crianças que acatam diretrizes sem poder contestá-las ou reinterpretá-las. Em contrapartida, o conceito de liderança regenerativa propõe um novo paradigma baseado na restauração, na humanização e na sustentabilidade dos ambientes corporativos.
Essa abordagem tem como foco criar ciclos de renovação, valorizando o equilíbrio entre desempenho e cuidado, estimulando a inovação e o crescimento saudável de equipes e negócios. A liderança regenerativa entende que o desenvolvimento genuíno nasce do respeito aos limites individuais e coletivos, promovendo um impacto positivo que transcende o lucro e se estende ao propósito social e ambiental.
Por que a transição para uma liderança regenerativa exige entender os times não como meros executores, mas como o sistema nervoso da organização, onde sua vitalidade e adaptação realmente se manifestam?
No passado, as pessoas chegavam às organizações em um estado psicológico mais adulto. Mesmo que modelos de comando e controle tentassem infantilizá-las, esse impacto não era total: a maioria não adoecia por isso, e o fenômeno não se manifestava de forma tão ampla. Hoje, porém, observamos um cenário diferente. Muitas pessoas enfrentam algum tipo de sofrimento emocional, dificuldade de atenção ou outros desafios psicológicos que afetam sua autonomia e resiliência. Isso, em certa medida, as impede de desenvolver plenamente competências adultas para lidar com a realidade e com as exigências naturais da vida profissional.
Sendo o oposto do modelo descomedido de gestão, que extrai energia a pretexto de alta performance e produtividade; surge esse modelo de liderança atualizada. Se a sustentabilidade busca manter, a regeneração busca restaurar, revitalizar e fazer florescer. Um líder regenerativo não é um otimizador de processos; é um arquiteto de ecossistemas humanos saudáveis. Seu foco não está apenas no "o que" é feito, mas no "como" e no "porquê". Ele compreende que a verdadeira performance duradoura não nasce do esgotamento, mas de um equilíbrio dinâmico entre esforço e recuperação.
Desenvolver esse novo entendimento provoca uma mudança profunda no foco de análise, a lente deixa então de mirar apenas o indivíduo e passa a enxergar o ecossistema coletivo. É na rotina das interações entre os times que a gene organizacional, a cultura viva e pulsante da empresa , não apenas se revela, mas é continuamente construída. Longe dos discursos institucionais, é nesse microcosmo de colaborações, conflitos e decisões diárias que os valores declarados são confrontados pelo teste implacável da realidade. É ali que emergem, de forma nítida e incontestável, os princípios que realmente importam, aqueles que orientam comportamentos, moldam resultados e definem a verdadeira identidade da organização.

A transição da mentalidade da produtividade tóxica para a liderança regenerativa representa uma mudança profunda na forma como entendemos desempenho, tempo e relações dentro das organizações. A produtividade tóxica nasce de um modelo orientado ao excesso: jornadas intermináveis, pressão constante, metas inalcançáveis e uma cultura que glorifica o esgotamento como sinal de compromisso. Seus impactos são claros, aumento de burnout, queda na criatividade, conflitos, decisões impulsivas e perda de talentos. Recentemente, li sobre um estudo da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, que menciona que, entre empregados com burnout, 83% relataram presenteísmo (ou seja, estavam fisicamente no trabalho, mas sem rendimento pleno). Fazer parte não garante produtividade, assim como passar mais horas presente não assegura excelência, e muito menos compromisso com o trabalho.
A liderança regenerativa, por outro lado, opera em um paradigma oposto. Ela reconhece que pessoas não são recursos infinitos e que ambientes saudáveis produzem resultados mais sustentáveis. Essa abordagem integra cuidado, propósito e equilíbrio como motores de alta performance. Assim, cria-se um sistema que reduz desgaste e amplia o engajamento verdadeiro.
Na minha perspectiva entendo que é fundamental que as empresas percebam esse deslocamento do centro de poder e atuem mais no sentido de potencializar e de criar sinergia entre as diversas equipes para alinhar suas atuações aos interesses gerais da organização. Na prática, a liderança regenerativa funciona a partir de escolhas conscientes que fortalecem pessoas, relações e ambientes. Líderes regenerativos escutam ativamente, distribuem autonomia, promovem segurança psicológica e estimulam ciclos de trabalho que respeitam limites humanos. Ao regenerar, e não apenas extrair, esse modelo permite que times inovem mais, aprendam com erros sem punição e construam soluções de maior qualidade. Para as organizações, os benefícios incluem retenção de talentos, cultura positiva e maior consistência nos resultados.
Para os colaboradores, traduz-se em bem-estar, sentido e crescimento. E para os próprios líderes, abre espaço para uma atuação mais humana, estratégica e sustentável, alinhada ao futuro do trabalho e às demandas de um mundo complexo. A dinâmica de uma equipe constitui um ecossistema complexo, moldado não apenas pelas funções e responsabilidades formais, mas pela qualidade das interações e pela forma como a colaboração se concretiza na busca por objetivos comuns. Este delicado equilíbrio, no entanto, é profundamente influenciado por fatores intangíveis, como a cultura organizacional, o estilo de liderança e as competências socioemocionais dos membros. É precisamente nesse contexto que a capacidade de inspirar a mudança emerge como uma competência de liderança fundamental. Mais do que impor transformações, o líder eficaz atua de maneira sutil, cultivando um ambiente de confiança e propósito que facilita a adoção natural de novas direções e estimula uma colaboração genuína e espontânea.
De que forma o processo de coaching acelera o desenvolvimento das competências essenciais à liderança regenerativa?
Nessa jornada de transformação, da exaustão para a regeneração, o processo de coaching atua como um catalisador fundamental. A transição não é simplesmente uma mudança de hábitos, mas uma reestruturação de crenças profundamente enraizadas sobre sucesso, valor pessoal e eficácia. O coach fornece o espaço seguro e o olhar objetivo necessário para que o líder possa enxergar, e depois desmontar, os mecanismos da produtividade tóxica que o aprisionam.
Para um time funcionar com excelência, é fundamental que todos compartilhem uma visão clara do presente e dos objetivos comuns. Quando os líderes envolvem a equipe na cocriação, fortalecem a confiança e o senso de responsabilidade coletiva. Essa abordagem, baseada na escuta ativa, permite identificar os reais desafios que impedem a mudança. A partir desse diálogo, a equipe pode unir forças para desenvolver soluções práticas, superando barreiras e preconceitos. Essa conexão genuína se torna o pilar para um grupo mais coeso e em constante crescimento.
Os indivíduos não se limitam a ocupar um cargo; eles desempenham uma função essencial dentro do time e atuam como parte de um sistema vivo. Nesse contexto, o processo de coaching é um grande parceiro estratégico na construção de uma nova mentalidade. Ele apoia o líder a traduzir princípios como regeneração, autoconsciência, gestão, expressão, vulnerabilidade e propósito em comportamentos e práticas concretas no dia a dia. Ao mesmo tempo, fortalece o time para que conduza seus temas de forma adulta, reconheça seus próprios padrões de atuação e desenvolva um espaço de maturidade capaz de gerar soluções diante de diferentes desafios e perspectivas.
Como você tem exercido sua liderança hoje? Quais métricas e indicadores você utiliza para avaliar o desempenho de um time de forma equilibrada?
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Jorge Dornelles de Oliveira
Dezembro de 2025





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