Transferência e contratransferência em coaching


Numa relação de parceria como deve ser o coaching, não deveria haver nenhum tipo de transferência ou contratransferência. Mas ambas acontecem de maneira imperceptível, às vezes, se não estamos atentos ao processo. No caso da transferência, ocorre uma projeção de conteúdos inconscientes positivos ou negativos no outro – do cliente para o profissional --, enquanto na contratransferência é o profissional que faz transferências ou projeções para o seu cliente.

Você já passou por um processo semelhante?

Tem ideia do que estou falando?

Criado por Freud, na Psicanálise, esse conceito passou a integrar outras abordagens da psicologia e a se transformar num consenso: a transferência e a contratransferência são fenômenos que estão presentes em toda a relação interpessoal. Assim, não poderiam deixar de ser considerados também em coaching. Exemplo: o cliente olha para o coach e o vê (e o trata) da mesma maneira que olha para um superior ou com a mesma reverência que daria a uma autoridade, num nível hierárquico mais alto.

Ele então passa considerar o profissional como alguém a quem deve satisfações ou para quem deve pedir conselhos.

Lembrou de algum cliente ou de alguma situação em particular?

O que normalmente ocorre é que você, como um bom profissional que é, o acolhe, mas ao invés de tornar consciente essa relação, e questionar por que essa reverência surgiu durante o coaching, reproduz o modelo já conhecido por ele, aconselhando-o ou agindo como alguém que tem mais conhecimento.

Pronto, está estabelecida a transferência.

É provável até mesmo que ele o tenha escolhido por enxergar em você profissional, ainda que inconscientemente, uma semelhança com padrões já conhecidos de comportamento, te colocando nesse papel que tanto pode ter o intuito de depreciar essa imagem e o que ela representa para ele, como também porque ela é positiva e continua a ser a mais importante para ele. Em ambos os casos, isso é transferência.

Se as coisas fluem e você aceita essa função, especialmente nas situações em que existe uma empatia entre cliente e coach, você tende a cair na armadilha de assumir esse lugar, se tornando, quem sabe, um conselheiro-irmão, alguém em quem o seu cliente pode “confiar” e com quem ele se sente confortável.

Nesse caso, ocorre a contratransferência, ou seja, você também se identifica com a função que lhe foi projetada ou transferida. É bastante comum fazermos isso sem nos darmos conta. O coach também cria a transferência projetando no cliente o papel de alguém que precisa dele, e o cliente aceita, fazendo uma contratransferência.

Embora as projeções sejam parte das relações e das dinâmicas estabelecidas entre as pessoas, seja no trabalho ou na vida, é preciso estar atento a esses movimentos, reconhecer essas dinâmicas e a partir desse reconhecimento, aprender a lidar com isso, no dia a dia, dentro do processo de coaching. O objetivo é não permitir que ele seja comprometido com esses fenômenos da transferência e da contratransferência.

Os sinais de que o processo pode estar em risco surgem quando temos medo de confrontar o cliente ou de desagradá-lo de alguma maneira, e que a nossa imagem de líder ou de alguém com maior conhecimento, esteja, por algum motivo, ameaçada. Você não quer que ele perceba que você não tem todas as respostas e se agarra à esse local onde sente menor vulnerabilidade.

Em coaching, a presença do profissional é sempre vulnerável. Na prática, isso significa que você só toma consciência do processo, na medida em que não é detentor de todas as regras, que está aberto a uma interação que não segue modelos nem pré-definições comportamentais ou de qualquer outra natureza, que constrói junto com o cliente essa interação, conforme ela vai acontecendo.

Mais do que zelar para que o processo esteja seguindo seu curso, é necessário estar dentro dele, percebendo a dinâmica que se estabelece entre coach e cliente para conseguir nomear o que aparece, e deixar claro o que precisa ser trabalhado, negociando com ele, sempre que necessário, os compromissos que precisam ser desfeitos ou refeitos. Isso é coaching.


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