O silêncio e o autocoaching


Mais uma oportunidade de aprender com o prof. Corona

Todas as tardes elas se reúnem para um chá mas não conversam entre si. E apesar da ausência de sons ou palavras, se entendem perfeitamente nesse ritual indefinido e repetido, diariamente, há muitos anos. Essa é a cena de um clássico do cinema que reverbera na minha cabeça nos últimos tempos, apesar de aparentemente distante do nosso dia a dia. Em geral, uma conversa é dividida em três segmentos: quando a gente faz afirmações e se coloca, quando o outro responde, e quando o silêncio, que também é parte da conversa, se faz presente com a sua eloquência.

Há quem não esteja habituado a enfrentar essa parte do diálogo. Afinal, a maioria de nós sequer tem tempo de respirar ou pensar, que dirá de contemplar o silêncio, por vezes, assustador mesmo. Mas eis que chega o Professor Corona e nos obriga a fazer uma pausa na conversa com o mundo e a encarar o silêncio ( interno principalmente).

Será que temos aprendido alguma coisa?

Se você acha que o tema já está batido, pause por aqui. Senão, fique comigo e vamos explorar a fenomenologia dos silêncios e pausas que acontecem também em coaching e que têm muito a nos ensinar .

Normalmente, quando estamos em processos de coaching, poderíamos dizer que existe também uma trimembração: a conversa que rola na cabeça do cliente, a que está na cabeça do profissional e a que mais importa, aquela que está sobre a mesa, a que interessa ao cliente, em função do seu próprio processo e que é a motivação do nosso trabalho de coaches.

Para que o processo ocorra, é necessário que a gente silencie a nossa própria tagarelice, de forma a fazer com que o cliente consiga ouvir suas demandas e juntos exploremos aquilo que lhe interessa. É principalmente na pausa e no silêncio que o fenômeno acontece. Lembra-se? O fenômeno simplesmente se manifesta no campo das relações (Husserl), mas é principalmente nesses instantes em que a palavra não se mostra, que a presença ganha força e importância.

Coach e cliente observam fenomenologicamente o significado subjetivo do cliente e a experiência que ele tem de si próprio no mundo, utilizando esse método que é mais investigativo do que interpretativo, por meio do qual suspendem suas crenças e julgamentos para ver o cliente em seu contexto e situação, como se fosse a primeira vez (epochè). Depois buscam descrever o fenômeno conforme ele se manifesta no presente e na relação estabelecida entre as partes, percebendo o que é óbvio aos sentidos.

A observação fenomenológica é muito importante durante toda a conversa e tem varias técnicas com as quais pode ser trabalhada. A intenção é fazer com que ambos, cliente e coach cheguem a um ponto em que olhem da mesma forma para o todo e os detalhes. É o chamado horizontalismo, quando não hierarquizam o que testemunham dando o mesmo valor para tudo o que presenciam juntos.

No dia a dia de nossa prática, as intervenções costumam ficar por conta das perguntas, preferencialmente as abertas, que conferem maior liberdade aos clientes. É de praxe que a cada pergunta que fazemos o interlocutor tenha um impulso de responder. Não raro, porém, uma pergunta vem acompanhada do silêncio ou de uma pausa, nos dando a sensação de que estamos momentaneamente sem saída, nos causando ansiedade. Não há, de fato, o que fazer, a não ser esperar e observar.

Ao respeitar esse silêncio ou essa pausa, durante o processo de coaching, nos colocamos naturalmente abertos a explorar sob novas perspectivas, damos espaço para a chamada curiosidade ativa, aquela que se movimenta sem os bloqueios de estereótipos e crenças, e que permite ao cliente encontrar novos significados e formas para o que está experienciando.

Da mesma forma, se aceitamos o convite de pausa que nos tem sido feito, conseguimos nos abrir para a fenomenologia desse silêncio, dando vazão à nossa própria conversa interna, explorando uma espécie de autocoaching para escutar o que o momento tem a nos dizer. Pronto para o chá?

Como o silêncio e a pausa tem impactado a sua vida ?

“O silêncio pode ser ensurdecedor, mas deve ser respeitado pacientemente, o silêncio reverbera em um espaço de reflexão do cliente onde sua verdadeira manifestação poderá surgir”. O silêncio foi recém incorporado pela International Coaching Federation (ICF) como fenômeno a ser respeitado em sua competência n °7, a “Conscientização”.


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