Como o querer, uma das três forças fundamentais da vida anímica, pode impulsionar o seu desenvolvimento?
- jorgedoliveira

- há 7 minutos
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O que você verdadeiramente quer nasce da conexão com a sua consciência.
Um dos mitos mais difundidos no desenvolvimento pessoal é a ideia de que a motivação, por si só, é suficiente para promover mudanças. No entanto, a psicologia mostra que a motivação não é um traço fixo nem uma força constante, mas um estado dinâmico, profundamente influenciado por fatores como ambiente, emoções e contexto. A Teoria da Autodeterminação reforça essa visão ao indicar que a motivação se sustenta a partir de três necessidades psicológicas básicas: autonomia, competência e pertencimento. Em outras palavras, não basta “querer muito”; para que a ação aconteça de forma consistente, é fundamental que existam condições que a favoreçam e a sustentem ao longo do tempo.
A alma não é algo único e homogêneo, mas se organiza em três dimensões principais: pensar, sentir e querer. Essas três forças atuam de maneira integrada, mas possuem naturezas distintas.
O querer refere-se à dimensão mais profunda, dinâmica e, muitas vezes, menos consciente da vida anímica. Enquanto o pensamento está ligado à clareza, à consciência e à elaboração racional, e o sentir ocupa uma posição intermediária, o querer está diretamente conectado à ação, ao impulso e à transformação no mundo. É por meio do querer que aquilo que vive no interior se torna realidade concreta.
O querer é algo que não se manifesta apenas nas decisões conscientes, mas também nos hábitos, impulsos e tendências que carregamos ao longo da vida. Por isso, ele está profundamente relacionado ao corpo e à prática. Diferente do pensamento, que pode ser facilmente observado, o querer se revela principalmente por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer.
O desejo nasce no plano emocional e imaginativo. O querer, por outro lado, está ligado à decisão e à ação concreta.
Outro ponto central nessa visão é que o querer está ligado à individualidade mais profunda do ser humano, aquilo que, na Antroposofia, se aproxima da ideia de essência espiritual ou “eu superior”. Nesse sentido, desenvolver o querer não significa apenas ter força de vontade no sentido comum, mas alinhar as ações com um propósito mais consciente e evolutivo. Como eu disse no artigo anterior — “Como seus estados internos determinam se você muda ou repete padrões?” —, “quando emoções antigas permanecem no comando, elas tendem a reproduzir caminhos já conhecidos. Mas, à medida que os estados internos se transformam, a mudança deixa de ser apenas um desejo distante e passa a se tornar uma possibilidade concreta, consciente e real.”

Além disso, o querer possui uma dimensão temporal importante: ele está voltado para o futuro. Enquanto o pensamento tende a se relacionar com o passado (com aquilo que já foi elaborado) e o sentir com o presente, o querer impulsiona o ser humano na direção do que ainda não existe. Ele é, portanto, uma força criadora.
Na prática, trabalhar o querer envolve cultivar disciplina, repetição e consciência nas ações. Não basta compreender algo intelectualmente; é necessário incorporar esse conhecimento na vida, por meio de atitudes concretas. Isso inclui desde pequenas rotinas até decisões mais profundas que moldam o destino individual.
No capítulo 8 do meu livro Coaching on Time: A Arte da Presença Plena, ao abordar “A Congruência e o Movimento do PSQ – O Terceiro Nível”, exploro como a dinâmica entre pensar, sentir e querer sustenta toda a minha metodologia, em sintonia com a sucessão de campos que orienta o processo de transformação humana.
Como escrevo na obra, “a ideia do Pensar, Sentir e Querer permeia todo o meu trabalho”, justamente porque esses três elementos guardam uma relação profunda entre consciência, emoção e ação. Já no capítulo 11, a reflexão ao evidenciar a sinergia necessária na relação entre coach e cliente, especialmente quando o desejo de mudança entra em cena. Nesse contexto, destaco que é fundamental investigar a verdadeira raiz do querer e compreender quais concessões e movimentos a pessoa está, de fato, disposta a realizar para transformar intenção em realidade.
No livro explico esse importante passo da seguinte forma: “No processo de coaching, a instância do querer é a mais difícil de se alcançar. É o nosso Calcanhar de Aquiles, a etapa que diz, de fato, se o processo que estamos conduzindo é sólido, se está funcionando e se, de fato, ajudará o cliente em sua transformação. Biologicamente, nossas atitudes, tanto quanto o nosso corpo, tendem à acomodação em um certo ponto de equilíbrio. E no coaching, precisamos de ação, pois só as ações desencadearão as mudanças que se busca.”
Em outras palavras, o querer é a força que move o ser humano da intenção para a realização. Ela representa o elo entre o mundo interior e o exterior, sendo fundamental para o desenvolvimento pessoal e espiritual. Mais do que desejar ou pensar, é o querer que efetivamente transforma, pois é nele que a alma se torna ação. É aqui que o desenvolvimento deixa de ser emocional e passa a ser estrutural.
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Jorge Dornelles de Oliveira
Maio de 2026





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