O Professor “Corona” e o exercício da Presença

Estar consciente, centrado, com atenção plena, gerindo com clareza as emoções no aqui e agora, confortável com a condição de não saber. Esse é o desafio que tenho vivido no  dia a dia, o exercício do sentido vital. Como me sinto? Tem algo diferente na minha respiração? Alguma dificuldade? Como percebo o meu corpo? Como está o balanço entre físico, energia e emoções, antes feito de maneira tão automática, que agora passou a ser feito em espaços curtos de tempo e com um nível de precisão quase de um exame clínico?

 

 

Também o sentido do EU se manifesta de forma mais clara e tenho me perguntado muitas e repetidas vezes. Estou agindo de forma coerente? O que estou aprendendo?  A cada vez que tenho que sair de casa, sou obrigado a prestar atenção nos mínimos detalhes: se a máscara está encaixada (não é como vestir um jeans ou uma camiseta), se a roupa, aliás, é adequada, como fazer o percurso prestando atenção no que estou tocando, o quão próximo estou das outras pessoas -- a cada respirada, com o ar passando através da máscara.

 

Esse caminhar  consciente, num processo meditativo constante, com a percepção ligada no nível mais elevado, me aciona uma consciência do que ocorre comigo e ao mesmo tempo à minha volta - de forma que esteja focado, completamente focado. Me faz assistir a um filme, do qual faço parte, em slow motion, quadro a quadro. Estou ali presente, me sinto nele, assisto, e ao mesmo tempo sinto a presença.

 

Isso, sem dúvida, me remete aos ensinamentos do meu mestre Bokar Tulku Rinpoche, nos idos de 1977, vejam só, no século passado. Ele nos ensinava que presença é o objetivo da meditação, que a iluminação é um estado de meditação e a consciência plena é o estado permanente de meditação. Ao longo dos anos, essa é a experiência que tenho buscado, tanto na prática da meditação como numa atuação cada vez mais potente como Coach. Pois não é ela – a presença -, a responsável por fazer com que possamos alcançar um estado de flow ou o numinoso  (https://www.jorgedornellesdeoliveira.com/single-post/2020/01/30/O-numinoso-em-coaching) em nossa atuação como coaches e também na vida?

 

Quem faz esse caminho sabe quanto é difícil ter uma experiência real e verdadeira nessa dimensão. E então surge o laboratório do Dr. Corona Vírus e nos coloca todas as condições para viver este experimento, 24 horas por dia, de uma forma crua e sem possibilidade de pausas, absolutamente verdadeira. É ele quem vem nos mostrar diariamente como acionar a consciência em sua potência máxima. 

 

A experiência com a pandemia tem nos obrigado a isso: estamos diante de um cenário de completa volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade ( VUCA, lembra-se?), que exige a presença em cada atitude; a cada vez que respiro eu preciso estar consciente de todos os  meus atos, de como meu corpo se move, de que tipo de impacto ele causa ou que interação ele promove. Esse estado de presença não é mais uma opção e sim uma condição para sobreviver. A didática e  o método experimental do Dr. Corona certamente estão longe de serem desejáveis, mas sem dúvida podem ser uma oportunidade única no entendimento profundo do que é estar presente.

 

Ao invés do amanhã, para o qual nunca estivemos tão sem pistas, temos o agora, o experimento vivo. Há quem diga que as estruturas estão sendo inteiramente reformuladas, que já não haverá espaço para atitudes impensadas e que é necessário nos voltarmos para o nosso centro, de maneira a acolher o interno para sobre-viver conscientemente nessa impermanência.

 

O que será que isso nos ensina, na realidade ?

 

Talvez a gente não evolua ou depois que tudo isso passar a gente desaprenda rapidamente como é ter que passar álcool gel a toda hora.  Mas com certeza, teremos tido a oportunidade de criar ou permitir espaço para o silêncio, pausa ou reflexão, e a desenvolver empatia por nós mesmos e pelos outros, a estarmos mais inteiros, chegando mais perto da nossa essência, da nossa alma e desenvolver um estado de presença verdadeiro.

 

Como você se percebe nesse momento? Qual seu grau de percepção em relação à sua forma de estar no mundo?

 

 

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