Autodesenvolvimento é uma questão de gênero?

 

Gênero pode ser definido como um conjunto de seres e objetos que possuem a mesma origem ou se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades.

 

Gênero também pode ser definido como aquilo que identifica e diferencia os homens e as mulheres.

 

De acordo com a definição tradicional de gênero, este pode ser usado como sinônimo de “sexo”, referindo-se ao que se entende como mais comum do sexo masculino, assim como do sexo feminino. Evidentemente este é um conceito tradicional, e hoje temos muitas discussões em relação a sexo, gênero e muitos outros aspectos, complexos e interesses, que certamente, no futuro, serão parte de uma nova mitologia.

 

Aqui, vou me restringir ao conceito mais clássico de arquétipo masculino em corpo masculino e arquétipo feminino em corpo feminino.

 

Considerando esse recorte particular da realidade, gostaria de compartilhar minha percepção a partir da ótica do masculino:  homens se desenvolvem de forma diferente das mulheres. Mas isso é óbvio!! Você deve estar pensando. E eu concordo, pois existe muita literatura sobre isso.

 

Mas a questão então é:

 

Se os homens se desenvolvem de forma diferente das mulheres, por que a maioria dos programas de desenvolvimento (entendido tudo o que tem a ver com comportamento, atitudes, sentimentos, autoconhecimento etc..) é desenhado de uma maneira que não leva em consideração a forma como a maioria dos homens se comunica e expressa seus sentimentos?

 

Este é um tema que tem me intrigado profundamente, ao longo de mais de 20 anos de participação e elaboração em programas de autoconhecimento e desenvolvimento.

 

Cada vez mais encontro menos homens nos programas e eventos em que participo. Isto acontece tanto no Brasil como no exterior. Estou falando sim, de eventos em que menos de 5% são homens.

 

Talvez o primeiro impulso seja pensar que homens não estão interessados em se autoconhecer ou se desenvolver. Posso garantir a você que esta perspectiva não é correta. Como também não é correto pensar que os homens não sabem expressar sentimentos ou até que são incapazes de sentir. Isso me lembra um pouco o diálogo entre John Milton (Al Pacino) e Kevin Lomax (Keanu Reeves), no filme “O advogado do diabo (1998)”.  O filho fala para seu pai Milton que, ao final, o diabo perde, na Bíblia. E Milton responde: “Mas veja quem é o autor desse livro”.

 

Não querendo ir tão profundo nessa discussão, muito menos entrar em questões bíblicas; apenas usando isso como uma metáfora.  Me parece que as maiores descobertas relativas ao funcionamento da psique humana, e consequentemente, sobre o desenvolvimento da psicanálise, psicologia e teorias do desenvolvimento, tenham sido originariamente feitas por homens. Só para citar dois deles, Freud e Jung.

 

A sua implantação de forma mais abrangente no mundo, tanto nas organizações, como no dia a dia, acontece muito mais a partir da ótica do feminino. Basta ver a predominância das mulheres na área de psicologia e nos RHs das empresas.  O que estou querendo dizer com isso? Que de uma forma geral, a bíblia do comportamento está escrita muito mais a partir da ótica feminina. Entãom parece, à primeira vista, que nós homens saímos em desvantagem nessa área, pois essa “bíblia” não está escrita com uma linguagem que faça totalmente sentido para nós.

 

Em meu ponto de vista, homens e mulheres experimentam os mesmos sentimentos, mas a forma de expressar pode ser muito diferente. De uma forma geral, nós homens,  não gostamos muito de explicar.

 

Mas não falar o que sentimos, não significa de forma alguma que não sejamos capazes sentir ou de expressar. Só que expressamos de uma forma diferente do que é esperado pela cartilha do desenvolvimento (influenciada pela ótica do feminino).

 

Preferimos muitas vezes silenciar ou concordar para não prolongar a conversa que para nós é uma espécie de perda de tempo. Os homens são mais pragmáticos: preferem o que chamamos de papo reto para lidar com esses temas. Já as mulheres precisam de conversa para demonstrar mais emoção.

 

Então como resolver esse paradoxo e ter treinamentos ou processos de desenvolvimento que envolvam tanto homens e mulheres sem que os homens, principalmente, sintam-se excluídos ?

 

Talvez não seja possível reescrever a bíblia, mas talvez o primeiro passo seja reconhecer de verdade: que homens e mulheres se desenvolvem e se expressam de forma diferente.

 

Diferentemente do que vem acontecendo nos últimos anos, é necessário reconhecer a diferença para abandonar ideia de querer que homens e mulheres pensem da mesma forma. Igualdade de direitos e oportunidades sim. Anulação das diferenças não.  

 

O mais importante é buscar uma forma de interação que, sem passar pela neutralidade, reconheça que homens e mulheres têm demandas diferentes por formas de aprendizado e ter programas com predominância da ótica feminina vai ser pouco atrativo para os homens e vice versa.

 

Vivemos em um mundo onde cada vez mais as pessoas fogem do tratamento massificado. As mulheres já contam hoje inclusive com muitos programas voltados exclusivamente ao publico feminino que são desenhados com foco maior nesse tipo de funcionamento. Aos poucos, os homens ainda que timidamente, começam a ter alguns programas dessa natureza.

 

Não estou defendendo voltar à escola dos anos 20 com mulheres e homens separados.

 

Mas sim reconhecer a diferença e oferecer principalmente oportunidades de desenvolvimento que tragam maior identificação com a maneira masculina de se desenvolver e ver crescer a participação dos homens em eventos de desenvolvimento onde hoje eles são raros.

 

Parafraseando Luigi Pirandello: se sua cabeça está rodando, então paremos por aqui.

 

 

 

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