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As escolhas da alma e a cristalização dos mitos

07.07.2018

Segundo Episódio

 

Em algum momento do período paleolítico, segundo Alain Chinen, em Além do Herói, bem pra lá de 10 mil anos a.C.- nos primórdios da raça humana-, homens e mulheres batalhavam igualmente pela sobrevivência. Um gênero considerava o outro e cada um deles compreendia a importância dos seus papéis.  Isso mesmo. Havia respeito entre eles. Já imaginou?

 

Enquanto os homens eram caçadores e compartilhavam suas caças, abastecendo suas comunidades, as mulheres faziam as colheitas e trocavam o conhecimento sobre frutos e raízes, além de cuidarem da educação das crianças.

 

Nesse tempo ser homem exigia ser esperto e lançar mão de alguns artifícios e astúcia para lidar com criaturas poderosas e mais rápidas do que eles, já que as flechas e as cerâmicas ainda não haviam sido inventadas. Assim eles tinham rituais masculinos sagrados para ir caçar; dançavam e cantavam exercitando o poder do xamanismo. O caçador-xamã- malandro se identificava com o espírito da caça e ilustrava em suas pinturas o que desejava que acontecesse, preservando essas imagens, de forma secreta, no fundo de cavernas. Os caçadores tratavam a caça com reverência e invocavam o espírito dos animais para levantar uma nova criatura daquela que havia sido abatida.

 

Nos santuários masculinos, os caçadores mais velhos falavam sobre o seu senhor, que era parte animal, parte humano, e parte espírito. Já as mulheres eram chamadas de Irmãs Sagradas. Elas dominavam a arte da cestaria, as épocas das estações e o mistério da fertilidade, cultuando a Deusa Mãe. Na prática, as comunidades vivenciavam o que era essencial, numa vida baseada no espírito nômade e voltada para uma prática do dia a dia que nutria valores mais igualitários também entre os pares de uma maneira geral.  

 

Foi só mais recentemente, quando se consolida a noção de propriedade, que o poder se concentra nas mãos do  masculino. Ao invés de matar bisões ou renas, e de seguir o modelo nômade, como antes, os homens passam a disputar as terras que necessitam ser defendidas pelos seus donos para garantir o seu sustento. Surgem então os guerreiros que matam pessoas. Nasce o arquétipo do herói, o ideal da masculinidade. E é claro, começa também o desequilíbrio de valorização entre o papel social dos gêneros. 

 

Os guerreiros começam a se organizar em torno de líderes carismáticos que são os chefes-conselheiros, e a partir daí será criada a hierarquia de poder. Com ela vieram os reis, os senhores da guerra, a dominação dos povos e a escravidão, inclusive das mulheres, e a arte da caça e agricultura pacífica foi rapidamente substituída por espadas e lanças.

 

É neste momento em que a sociedade passa a cristalizar seus arquétipos em alguns mitos,  que a nossa personagem a alma começa a perder sua liberdade, e alguns arquétipos de relevância se escondem na clandestinidade. Um deles é do caçador-coletor-malandro, uma espécie de xamã que é contra a guerra, o acúmulo e a desigualdade, é parceiro do sexo feminino, além de ser aquele que trabalha em prol das comunidades, com qualidades de mediador, e é capaz de equilibrar opostos e paradoxos. É como se esses dois arquétipos ou esses tipos de almas, fossem para um segundo plano na atuação social, sabotando ou fazendo uma espécie de guerrilha com o status quo dos Heróis / Heroínas/ Patriarcas e Matriarcas.

 

Aqui você já deve estar começando a ter pistas de como surgiram os patriarcas e os heróis e de como o cenário que vivemos hoje teve início; como foi que as coisas tomaram outro rumo e certos mitos foram relegados ou deixados de lado, na sombra e no exílio, nos imprimindo uma sensação de que esquecemos algo de muito importante em nosso cotidiano. Na alma humana fica uma sensação de limitação, de diminuição da criatividade, dela estar cercada por muitas regras.

 

Por que justamente esses arquétipos que são mais sábios e flexíveis perderam espaço?

 

Do que nossas almas sentem falta neste momento?

 

São os arquétipos que nos fazem procurar incessantemente o resgate de algumas das qualidades como a intuição ou essa sabedoria que aparentemente se perdeu na dimensão da alma?

 

A escravidão da Alma

 

De acordo com Jung é a partir da energia primitiva da alma que se criam todos os arquétipos, que se transformam em mitos, numa espécie de escala crescente de cristalização, em minha visão.

 

À medida que esse processo de mitificação acontece, a Alma vai se tornando prisioneira do espírito ou consciência, mais aptos a atuar na sociedade organizada. Recapitulando: é a  Alma que se entrega às emoções e vivencia as experiências, é ela que também, como um chip, se conecta com o inconsciente coletivo e cria a realidade primal – algo que principalmente a partir dos filósofos gregos tais como Aristóteles, Platão e etc, é cada vez mais é racionalizado e enquadrado para garantir o convívio social.

 

Com a cristalização dos mitos, a Alma  se confina a um pequeno espaço contendo a energia criativa primordial, em grego το αρχέτυπο φως, que quer dizer a Luz arquetípica, Luz divina ou Deus da Criação. Ou seja, em algum ponto da nossa trajetória ela foi se congelando ou se autocongelando, e impedindo o que poderia nos manter no curso de uma prática viva e em harmonia com aquilo que desejamos modificar em vários níveis da existência.

 

O que precisamos fazer para resgatar a criatividade divina que, segundo os gregos, mora na Alma ?

 

Veja no próximo episódio.

 

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